Thursday, November 28, 2013

Súplicas




Ela orava fervorosamente todas as manhãs naquela mesma capela.O povo da cidade até conhecia os seus passos.Não houve um só dia de calor.Alguma tempestade ou vento forte que a privasse do ritual.Foram tantas temporadas de fervor.Lágrimas implorando por um milagre.Somente um milagre a poderia salvar de todo o seu martírio.Maria da Capela alguns a chamavam pelas ruas das cidade.E ela com o olhar sempre perdido e um leve sorriso nem se importava.Cumpria sua penitência .Como quem busca o inatingível.E o tempo imperou.E naquela manhã de  outono .Aquela fiel mulher não aparecera.Burburinhos surgiram.Onde estaria a Maria da capela? Já aproximava-se o cair da tarde. E meia dúzia de curiosos encaminharam-se para a sua casa.O que de tão grave a impediu a sagrada visita matinal?O que teria feito Maria nessa manhã outonal?E ao chegar na ladeira que dava para sua casa.Uma intensa fumaça foi sentida e avistada.E a casa onde Maria morava estava completamente carbonizada.E em um dos cômodos ao lado de centenas de velas.Maria da Capela estava abraçada a uma criança com um par de muletas ao seu lado.

Saturday, November 02, 2013

Luto na alma

 





Mesmo com o belo dia de sol.Ela enclausurou-se em seu sombrio quarto.E resolveu por fim que seria um dia de luto.Todos a chamaram por várias vezes para a festa.Mas a dor da perda latejava ainda em seu coração.E nenhuma canção poderia abrandá-la.Jovem e solitária.Rica e infeliz.Nenhum vestígio de felicidade restou-lhe no olhar.Uma espécie de feitiçaria ocupou-lhe a alma.Tal qual punhal cortante e visceral.Não pôde resistir ao baque que a vida ofereceu-lhe em bandeja de prata.Taças de cristais.Luas encantadas por todas as fantasias mundanas.Adormeceu ao som da chuva fina que batia em sua janela fechada.Vontade explodindo de fugir para os dias que escaparam -lhe sorrateiramente.